Havia uma área que, quando você chegava lá, não podia mais ser pego: podia ser um círculo desenhado no chão, uma árvore ou um poste. Existem nomes regionais para este lugar seguro, onde não se podia mais ser pego. Onde eu morava este lugar chamava “piks”, sei lá por que. Os buscadores da luz também brincam de não serem pegos por seus egos. O ego corre bem e é muito esperto: uma perna dele chama-se passado, a outra futuro, uma mão dele te pega com medo a outra te pega com culpa. Mas tem um lugar seguro nesta brincadeira, um “piks” chamado “estado presença”, onde o ego fica sem suas pernas. Mas ele ainda pode esticar seus dedos finos com garras até conseguir entrar na sua mente atenta, tentando tirar você do tempo presente. Se você bobear e seu pensamento distraído conjugar um verbo no passado ou no futuro, então você já saiu do seu “piks”.
São muitas as formas que os dedos do ego tomam: chegam como tentações, distrações, pressa, ansiedade, pensamentos ruins, mágoas, desejos, anseios, preocupações, estratégias para relacionamentos com pendências, até que um dessas garras penetram em alguma rebarba da sua mente, num ponto mais vulnerável, quase sempre o mesmo, e aí pronto! Você saiu mesmo do seu “piks” e o pegador te pegou e você virou o seu escravo outra vez!
Mas o brincador avançado tem um trunfo, pois sabe que não se trata apenas em perseverar nos estados de presença e de atenção plena, não!
A presença plena é um lugar criado com cuidado para poder-se invocar aí uma Outra Presença, Aquela que faz o pegador correr de volta à sua escuridão, para que a ilusão de que ele é feito não seja desfeita pela luz da Resposta.
– Sergio Condé
I FOLLOW people because i like them and their posts. I LIKE AND REBLOG because i feel the same way too...